Exposição Asa de Papel – Marcelo Xavier

“Não tenho nada contra os adultos, mas eles bem que podiam dar um tempo. Sair de férias. Ir pro espaço. Conhecer Saturno, Urano, Plutão... as crianças ficariam aqui na Terra, tomando conta de tudo. Naturalmente, as coisas voltariam aos seus lugares.” Marcelo Xavier
A exposição "Asa de Papel", do artista Marcelo Xavier, está em cartaz no Centro Cultural do Banco do Brasil e vai até o dia 12 de outubro.
Tive contato com a obra dele quando eu ainda era criança e ganhei o livro “O dia a dia de Dadá”. Eu ficava horas observando cada detalhe daqueles personagens feitos em massinha de modelar. Era (e continuo) encantada pela Dadá e o gato. E depois que virei professora de artes, fiz um curso com a filha do autor e já até escrevi um post sobre esse dia.

Voltando aos dias atuais, já entrei na exposição do CCBB sabendo que eu ia gostar, mas a mais pura realidade é que AMEI. Comecei a entrar no universo quando mergulhei nas
letras que estão dependuradas na entrada. Logo em seguida, observei um móvel que tinha uma máquina de escrever do próprio Marcelo. Me extasiei com o processo de criação, pois tive a oportunidade de observar os instrumentos que ele utilizava para trabalhar. Abri as gavetas, vi suas fotos pessoais e seus sketchbooks. Aquele armário juro que eu queria dentro da minha casa.
Mais adiante, passei para as outras partes da exposição e me encantei com as obras de papel machê, recheadas de histórias e brasilidade. Seguindo, cheguei em uma sala com várias cadeiras de rodas. E o que mais me chamou a atenção, foi a visão do artista para atravessar um momento difícil: Marcelo tem uma enfermidade que demanda o uso da cadeira, mas mesmo assim não se deixa abater. Como ele conseguiu achar poesia em
um momento em que outras pessoas só enxergam a dor e a limitação? Então, reforcei a minha convicção que um artista nunca está só, pois tem a companhia da imaginação e dos personagens que já conseguiu criar.
Continuei vendo as obras e me deliciando. E quando vi, já estava no final da exposição e veio a maior surpresa: dei de cara com a minha infância perdida através da personagem Dadá e do Gato. A Saninha que mora em mim até deu umas rodopiadas diante desses personagens tão encantadores. Vê-la ao vivo e a cores e saber do real tamanho dela foi muito bom. Juro que se tivesse uma miniatura da Dadá a venda eu ia ser a primeira a adquirir. E tenho planos de voltar lá com mais tempo e um sketchbook na mão para fazer alguns registros dessa dupla.
Como é bom encontrar com os personagens que foram tão marcantes em nossas vidas. Que nostalgia maravilhosa! E que exposição tão bem planejada e de uma doçura sem fim. Só tenho a enaltecer o trabalho das pessoas que fizeram a curadoria e a montagem. E, principalmente, o artista, que nos presenteou com tantas ideias e personagens fabulosos.
E você, meu querido leitor? Já encontrou com o personagem que mais gostou na sua infância? Sabe quem foi o artista que o colocou no mundo?
Me conte aqui, que vou adorar saber!
Forte abraço,
Sânia Fagundes




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