Minha pequena história
- Sânia Fagundes

- 24 de mai. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 3 de jun. de 2021
“O que muda na mudança, se tudo em volta é uma dança no trajeto da esperança, junto ao que nunca se alcança?”

Para contar a minha história, tenho que começar da infância.
Sempre gostei muito de desenhar. Sabia desenhar o Cebolinha do Mauricio de Souza de cor. Meus cadernos eram todos desenhados nas ultimas folhas. Sempre amei lápis de cor, tintas, maquiagens e tudo que fosse colorido e muito vibrante. Minha alma é composta de cores forte e intensas.
Tive uma infância de muito clube e muitas idas ao interior. Era menina solta e feliz. Sempre fui muito independente. Minha família sempre deu muito valor a educação. Fui criada repleta de livros e muitas HQs. E os meus sonhos, sempre acreditei que iria alcança-los.
Fui uma adolescente bem chata e crisenta. Mas ao mesmo tempo sou tímida e bem reservada, o que por um lado as pessoas me entendiam como metida e até mesmo um pouquinho arrogante. Sempre fui muito observadora. Gosto de analisar a pessoa a fundo, principalmente as expressões tentando decodificar quem ela realmente é. Acredito fielmente que o gênio da lâmpada mora nos detalhes e só com um pequeno gesto consigo entender o mundo.
Perdi meu pai com 22 anos. Dor maior que está eu nunca experimentei até hoje. Tive que me virar. Passei na faculdade de Letras. No segundo período já comecei a lecionar. Gastei muito tempo e muita energia tentando ser uma ótima profissional. Fiz o máximo que consegui, até que um dia já não dava mais. Eu tenho tantos personagens e tantas histórias dentro de mim que eles começaram a me questionar. Depois de uma crise gravíssima de depressão e um quadro de esgotamento profissional tive a tal da coragem de largar tudo.

Me libertei! Consegui! Ufa!!!!!! Ser professora de inglês era um roteiro que não adaptava mais na minha vida. Tive que me ressignificar. Não foi fácil. Tive que mudar as amizades, a maneira de pensar e a maneira de consumir. Esta decisão foi sobre mim e minha vida. Eu trabalhava demais, não tinha tempo para absolutamente nada. E quando tinha estava tão cansada que não conseguia aproveitar. Minha vida estava escorrendo das minhas mãos. Tinha uma dor nas costas, um aperto no peito e uma angustia que remédio nenhum no mundo dava conta disso. Minha energia ficava toda no trabalho. Chegava em casa sugada. Sempre me indagava se trabalhar era tudo isso. Será? Se for eu simplesmente não aguentei. Tenho plena convicção que para se ganhar o pão não é preciso dar todo o seu tempo e a sua energia.
Deu um imenso salto de fé e estou agora trabalhando com arte em tempo integral. Como diz Milton Nascimento, “nada será como antes”, mas acredito que o amor e a fé estarão sempre ao meu lado. Agora vou usar a minha sensibilidade para levar um pouco de cor e alegria a vida das pessoas. Esta é a minha missão!
Forte abraço,
Sânia Fagundes







Comentários