Flávio Cerqueira: um escultor de significados
- Sânia Fagundes

- 17 de mar. de 2025
- 2 min de leitura
“Vi um anjo no bloco de mármore e simplesmente fui esculpindo até libertá-lo.”
Michelangelo
Que eu sou apaixonada por desenho de figura humana todos sabem. Mas esculpir a figura humana já é um amor que não cabe no peito. O desenho é uma representação em duas dimensões, ou seja, trabalhamos com altura e largura, em uma folha de papel. Já a escultura trabalha de forma diferente.

Esculpir é colocar a ideia em 3D, usando largura, altura e profundidade. Com a possibilidade de o observador ver a obra de todos os ângulos: na frente, do lado e atrás. Aí sim, a magia vai completa. É uma vontade de dar as mãos para a obra e até mesmo conversar com ela. Quem nunca, né?
No último final de semana tive a oportunidade de conhecer a exposição do artista Flávio Cerqueira, com suas belíssimas esculturas. Ela está acontecendo no Centro Cultural do Banco do Brasil, mais conhecido como CCBB, em Belo Horizonte.
Minha mente inventiva viajou junto com as mil possibilidades do escultor. Quanta beleza e imaginação! O que mais me chamou atenção foi a leveza da menina com os balões pendurados na trança. Que vontade de voar junto com ela, pena que eu não estava com os cabelos trançados.
Observei também a paixão pelos livros, comum a todos os artistas que eu conheço. E o que mais me tocou foi o depoimento do Flávio falando que escutou de um professor dizendo que uma ideia não executada é apenas uma ideia. E quantas ideias lindas este artista conseguiu colocar no mundo!
Concordo com ele que o processo é lento, mas só posso dividir com vocês que o resultado é de um encantamento sem fim.

Não dá para finalizar este post sem deixar algumas reflexões do artista:
“ Meu fazer artístico é o processo de transformação pelo qual passa cada
material até se tornar uma escultura: a cera de abelha misturada com óleos e
um pó de barro peneirado que transformo em plastilina e que, modelada por
minhas mãos, se torna uma figura. O silicone que, misturado com o catalisador,
vira borracha e me permite copiar diversas vezes as formas modeladas. As
misturas das ligas metálicas como cobre, estanho, chumbo, zinco, ferro e
fósforo derretidos a mais de mil graus centígrados que, despejadas em um
bloco de areia com dióxido de carbono, eternizam essas formas modeladas em
um dos mais nobres materiais conhecidos da escultura, o bronze.”
É uma alquimia de tirar o folego e aquecer o nosso repertório imagético. Vale a pena conhecer!
E você? Já quis conversar com alguma escultura?
Forte abraço,
Sânia Fagundes



































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