Soltei a linha e me apaixonei pelo crochê

"Com uma agulha e um fio, o artesão não cria apenas uma peça; ele tece o próprio tempo, transformando paciência em beleza." Ana M. Braga
Dê tanto ver nós na minha vida decidi fazer deles vários laços. Que eu solto a linha por aí através de desenhos todo mundo sabe. O que tem de novo é que me apaixonei pelo crochê. Minha mãe quando me vê com a agulha na mão fala: "quem te ensinou isso menina?" Não lembro, mas garotas do interior têm o costume de aprender com as vizinhas e amigas, fora que minha avó Geralda era crocheteira de mão cheia! E eu, como já contei para vocês, nasci em Belo Horizonte e fui chorar em Dores do Indaiá. Só pode ser de lá essa minha habilidade.

Agora que sou professora de artes sei bem que esse ofício é uma arte utilitária. E como artista plástica entendo que devemos colorir o mundo e deixar mais charme por onde passamos. Já cheguei até a ser criticada por um curador que teve a audácia de falar com uma colega artista que eu ia ser do artesanato.
Fiquei tão sentida com a petulância do comentário que fui me queixar com a Yara Tupynambá. Ela riu tanto! Levantou o dedo, olhou bem para os meus olhos e tagarelou: "que pretensão desse nosso querido colega! Presta bem atenção Sânia: o que importa é estar com as mãos em movimento. Pinte copo, prato, caneca, parede, quadro, pano de prato e solte sua arte. Suas mãos devem estar a serviço da arte que é o nosso ofício. E aprenda a não dar importância para conversas alheias. Na próxima semana traga uma arte utilitária para mim, que vai fazer parte do meu acervo. "
Levei o regalo em um embrulho recheado de amor e um belo bolo para agradecer por tantos ensinamentos. E fiquei com uma felicidade sem fim em saber que uma peça da minha autoria está com a querida Yara.
Agora, sigo em paz com muitas linhas e agulhas por onde quer que eu vá. As agulhas peguei emprestado da minha mãe que sabe fazer crochê e que aprendeu com minha avó Geralda. Apesar de ela estar com problemas de saúde e internada em um hospital, às vezes, vejo o olhinho dela brilhar quando me vê do seu lado fazendo o trabalho.
E não é que já andei presenteando algumas pessoas que habitam o meu coração com as minhas produções? O que posso confessar é que, apesar do meu espirito andar sentido e choroso por problemas pessoais, consigo seguir a vida e deixar a minha alma mais leve só pelo fato de eu estar levando a linha para passear, quer seja através de desenhos, pinturas, ilustrações, textos ou do meu mais novo xodó que é o crochê.
E você meu querido leitor, já levou a linha para passear? Sentiu alívio na alma? Me conte aqui, que vou adorar saber!
Forte abraço,
Sânia Fagundes




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